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  BLOG AVE VENUS 

Retrato de um casamento {2}

Atualizado: 18 de nov.

Aaaahh, a festa de casamento...

"Tão convencional, tão trivial" _ pensava ela.


Sabia que “sua imagem” ficaria exposta diante de tanta gente estranha, mesmo porque ela seria o centro da festa, fantasiada de princesa que curtia dançar valsa e de beber champanhe.


Mas para compensar a situação, pintou as unhas de preto e fez questão de que o bolo tivesse a mesma ausência de luz.

Esses dois elementos eram essenciais para seu luto secreto.


Os amigos mais íntimos reconheciam essa morte calados, já que o alicerce do castelo de ilusões poderia se desmanchar se abrissem suas bocas.


A algazarra toda passou. Família plena, feliz e satisfeita ao ve-la finalmente, se casar com O CARA. Aliás, vale dizer, gente: ela era chata demais pra conseguir um homem melhor do que aquele, então, realmente, estava tirando a sorte grande!


"Fim do baile de máscaras!"_ pensou aliviada. Não que sua cabeça tenha funcionado muito bem naquela noite. De fato, ela passou um bom tempo anestesiada sem se lembrar de nada daquele furdunço.


A única coisa que vinha claramente em sua lembrança, era a imagem de uma amiga que apareceu vislumbrante em um vestido estilo japonês, coladinho e VER-ME-LHA-ÇO!!! A prova poética de que havia uma cúmplice em seu luto secreto, e mais do que isso: levou sangue vivo pra festejar!


Lampejos traziam a clareza de que ela desejava o lugar da amiga, que lhe parecia livre e sem ganchos em convenções sociais, coisa que seu pai idolatrava. E este sempre dizia: "Minha filha é uma princesa e um dia terei o prazer de entrega-la ao seu esposo (ah... como ela detestava esse nome!)". Mas neste exato momento, ela não ousava cruzar essa porta cheia de verdades, como bem sabemos.


Assim que o último convidado foi embora satisfeito com uma caixa de salgadinhos gordurentos na mão, ela sabia que estava numa piscina de merda, cheia de memórias, medos, obrigações e pouco amor. Sabia que seu destino estava traçado: ter 3 filhos, viver sem sexo, sem confidências e sem vida social, com o plus de se tornar uma boa senhora, dona de uma bela sala.

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